
Há algo que precisa ser dito com clareza. O argumento de que uma CPI não pode ser prorrogada indefinidamente, sob pena de risco institucional, parte de uma premissa legítima. O poder investigativo não pode ser eterno.
Mas esse raciocínio perde consistência quando confrontado com a realidade.
De um lado, limita-se uma investigação parlamentar que apura desvios de recursos de aposentados do INSS, envolvendo altas autoridades do país, inclusive o filho do Presidente da República.
De outro, mantém-se aberto, há anos, um inquérito judicial sem prazo definido. Aqui surge a pergunta inevitável.
Se a duração indefinida de uma investigação compromete o Estado Democrático de Direito, isso vale para todos ou apenas para alguns?
O chamado Inquérito 4781 STF, conhecido como inquérito das fake news, está aberto há cerca de sete anos no âmbito do Supremo Tribunal Federal, com sucessivas prorrogações e ampliação de objeto.
Enquanto isso, impõe-se limite rígido a uma CPI que busca apurar possíveis irregularidades envolvendo figuras de relevância política.
A questão não é negar diferenças jurídicas. Elas existem. A questão é outra.
É a COERÊNCIA.
Não se pode defender que investigações prolongadas são perigosas para a democracia e, ao mesmo tempo, admitir investigações prolongadas quando conduzidas por outro poder.
O que fragiliza o sistema não é a duração isoladamente. É a seletividade.
Sem COERÊNCIA, não há segurança jurídica.
Ou há limite para todos ou não há limite para ninguém.
Democracia não se sustenta com critérios variáveis.
