
São dez horas da noite. Seu filho terminou o jantar, entrou no quarto, fechou a porta e pegou o celular. Você passa pelo corredor, vê a luz acesa por baixo da porta e segue tranquilo. Afinal, ele está em casa.
Mas a pergunta que realmente importa é outra. Com quem ele está?
Pode ser um colega de escola. Pode ser um desconhecido fingindo ser adolescente. Pode ser alguém tentando obter fotos íntimas.
Pode ser um golpista. Tudo isso sem um único barulho.
A internet transformou o quarto de casa em uma porta aberta para o mundo. E nem todo mundo que entra por essa porta tem boas intenções. E existe um detalhe que muitos pais desconhecem.
Para o Direito, o dever de proteger um filho não termina no mundo físico. O exercício do poder familiar também exige orientação, presença e supervisão no ambiente digital.
Isso não significa vigiar cada conversa ou eliminar a privacidade dos filhos. Significa estar presente. Conversar. Orientar.
Conhecer os aplicativos e redes sociais que eles utilizam. Perceber mudanças de comportamento antes que seja tarde.
E há outro aspecto pouco conhecido. Se um filho menor praticar atos ilícitos pela internet, como ofensas, divulgação indevida de imagens ou outras condutas que causem prejuízos a terceiros, os pais poderão responder civilmente nas hipóteses previstas em lei.
Da mesma forma, os pais podem ser responsabilizados, quando crianças e adolescentes permanecem expostos, sem qualquer acompanhamento, a riscos graves no ambiente digital, os órgãos de proteção poderão atuar conforme as circunstâncias concretas de cada caso.
A tecnologia mudou a infância. Mas não mudou aquilo que a lei espera dos pais. Quem ensina um filho a atravessar uma rua com segurança também precisa ensiná-lo a navegar pela internet.
Porque os maiores perigos de hoje raramente arrombam portas. Eles entram por uma notificação. Por uma mensagem. Por um link. E, às vezes, permanecem por muito tempo fazendo o mal sem que ninguém perceba!
Hoje à noite, antes de dormir, faça uma pergunta simples ao seu filho: “Como foi o seu dia na internet?” Essa conversa pode valer mais do que qualquer aplicativo de vigilância.
E talvez seja a atitude mais eficiente que você tome para protegê-lo.
Delegado Francisco Sampaio
