
DIREITO, SEM RODEIOS
A digitalização das relações sociais impõe ao operador do Direito novos desafios, à medida que o crime migra do mundo físico para o virtual, atualmente no ambiente onlife: nem totalmente físico, nem exclusivamente digital.
Tecnologias concebidas, em sua maioria, para fins lícitos, vêm sendo desviadas para usos ilícitos, permitindo fraudes eletrônicas, especialmente com o uso de inteligência artificial.
Um parêntese: a inteligência artificial não é a vilã. Estamos diante de um período de avanços significativos para a humanidade.
Da mesma forma que a Revolução Industrial substituiu a força de trabalho humana ao automatizar a força física, a inteligência artificial traz um novo salto: automatiza tarefas da mente humana e as torna mais eficientes. Até mesmo para os agentes criminosos.
Os trapaceiros, em qualquer época, sempre foram hábeis em engenharia social: a arte de induzir a vítima a fornecer informações ou a agir de determinada maneira para favorecer o êxito criminoso.
Antes exigia-se maior expertise para falsificar documentos e conferir verossimilhança à cilada. Não raramente, erros de português, redação ruim e montagens grosseiras denunciavam a fraude.
Nos dias que correm, a única habilidade indispensável à fraude continua sendo a engenharia social.
Isso porque há um enorme facilitador: vazamentos massivos de dados que circulam em sites criminosos e em bots de mensageria.
Com um clique, o golpista abre um dossiê digital da vítima: filiação, endereços, telefones, rendimentos, redes sociais, e-mails, score de crédito, veículos emplacados e até registros policiais ou imagens de câmeras de tráfego.
Com esse arsenal de informações, o criminoso precisa de muito pouco.
Delegado Francisco Sampaio
