
DIREITO, SEM RODEIOS
O caso revelado no último domingo pelo programa Fantástico expôs algo extremamente grave: a consolidação de um verdadeiro Estado paralelo em Cabedelo/PB.
Segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, integrantes de facção criminosa monitoravam ruas da cidade em tempo real por meio de câmeras clandestinas instaladas em postes e árvores, os chamados “besouros”, enquanto líderes comandavam operações criminosas à distância, diretamente do Rio de Janeiro.
Mas o cenário vai além do tráfico. As apurações apontam suspeitas de infiltração da facção dentro da própria estrutura pública, com influência em cargos, contratos e setores estratégicos da administração municipal.
O nome de Flávio de Lima Monteiro, o “Fatoka”, apontado como liderança do Comando Vermelho na Paraíba, aparece como figura central do esquema. Mesmo foragido após romper tornozeleira eletrônica, continuaria exercendo influência operacional sobre a região.
O caso demonstra que o crime organizado evoluiu. Hoje atua com tecnologia, inteligência, vigilância e capacidade de infiltração institucional.
O Estado precisa reagir na mesma proporção.
É indispensável ampliar integração entre forças policiais, fortalecer inteligência, fiscalização de contratos públicos, monitoramento financeiro e mecanismos de combate à infiltração criminosa dentro das estruturas estatais.
Facções não podem continuar operando com estrutura tecnológica e organização superiores às do próprio poder público.
Quando o crime ocupa espaços institucionais, a resposta do Estado precisa ser rápida, técnica e firme.
Delegado Francisco Sampaio