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Prefeito denuncia negligência e possível corrupção

Pereira Mujica foi enfático ao afirmar que a Prefeitura não recebeu nenhuma documentação oficial, projetos ou pedidos de aprovação, demonstrando uma completa falta de planejamento e coordenação institucional.

Nelio Sander
Por: Nelio Sander
26/03/2026 às 19h41
Prefeito denuncia negligência e possível corrupção
Assessoria

O prefeito de Ciudad del Este, Daniel Pereira Mujica, denunciou um grave ataque à educação após constatar a situação crítica em uma instituição de ensino no Km 12 de Acaray, onde a Escola San Miguel, com 54 anos de história, foi quase totalmente demolida para dar lugar à construção de uma “escola modelo”, projeto anunciado pelo Ministro Luis Ramírez, do Ministério da Educação e Ciência (MEC).

Atualmente, a construção ainda não começou, enquanto os alunos permanecem amontoados em espaços pequenos e outros precisam assistir às aulas debaixo de árvores. Em dias de chuva, as aulas são canceladas.

Durante a visita, o prefeito também constatou a demolição de um prédio com seis salas de aula, equipado pela Prefeitura em 2022, bem como de outro prédio destinado à educação infantil, com banheiros separados para meninos e meninas e ar-condicionado, entregue em 2024. Esses investimentos, que representam quase 1 bilhão de garantias de recursos municipais, foram praticamente perdidos, agravando ainda mais a crise educacional na região.

O prefeito esclareceu que não se opõe à construção da escola modelo, reconhecendo a importância de se investir em infraestrutura educacional de qualidade. No entanto, criticou veementemente a negligência e a falta de planejamento na execução do projeto, que agora afeta diretamente as crianças, que não têm condições adequadas para receber uma educação de qualidade.

“O discurso de uma ‘escola modelo’ não pode se basear na improvisação e na negligência. Aqui, destruíram uma instituição sem garantir as condições mínimas para os alunos. Isso é inaceitável”, afirmou.

Pereira Mujica foi enfático ao afirmar que a Prefeitura não recebeu nenhuma documentação oficial, projetos ou pedidos de aprovação, demonstrando uma completa falta de planejamento e coordenação institucional.

“Isso não é apenas negligência. Isso reflete como o Estado paraguaio opera em muitos níveis: sem planejamento, sem transparência e com sérios indícios de corrupção. E quando as crianças são as afetadas, a situação é ainda mais grave”, disse ele.

Ele também questionou o silêncio das autoridades responsáveis, enquanto pais exigem respostas urgentes sobre uma situação que afeta diretamente o direito à educação.

Diante desse cenário, anunciou que, juntamente com vereadores e a equipe jurídica, buscará medidas legais para esclarecer os fatos e apurar as responsabilidades.

“Em Ciudad del Este, não toleraremos abusos nem improvisações. Defenderemos nosso povo e exigiremos que a educação de nossas crianças seja respeitada”, concluiu.

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